domingo, 9 de março de 2014

A EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ


A Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, não considera a pessoa com surdez como deficiente, pois ela tem perda sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. O AEE para os alunos com surdez, estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial e das capacidades dessas pessoas, vislumbrando o seu pleno desenvolvimento a aprendizagem. O atendimento a esses alunos é reconhecido e assegurado por dispositivos legais que determinam o direito a uma educação bilíngue, em todo processo educativo. A pessoa com surdez vive numa situação bilíngue, a língua oral dos ouvintes e a língua de sinais da comunidade surda; sendo a língua de sinais a primeira língua dos surdos, uma língua com estrutura gramatical, uma comunicação total, linguagem gestual, os textos orais, os textos escritos e as interações sociais. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais\institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. 
Pensar e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem bilíngue e se volte para o desenvolvimento das potencialidades da PS na escola é fazer com que esta instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas potencialidades, singularidades e diferenças e em seus contextos de vida. O Decreto 5626/ 5 regulamenta a organização das turmas bilíngues, com alunos surdos e ouvintes num mesmo espaço educacional, tornando uma escola inclusiva com práticas pedagógicas alteradas e não com perfil de escola segregadora. Segundo Perlim, a língua portuguesa é um desafio para a pessoa com surdez, mas são totalmente capazes de assimilá-la. Consideramos que a escola comum é a melhor escola para as pessoas com surdez. A escola comum precisa ter professores que conheçam a Língua de Sinais. Mas, mais do que uma língua, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade cognitiva dos mesmos. 
   O AEE deve ser visto como uma construção e reconstrução e deve ser articulado por metodologias de ensino que levem o aluno a apender a aprender numa abordagem bilíngue. O AEE para OS deve acontecer em três momentos: em libras, de libras e AEE para o ensino da Língua Portuguesa.
 O professor de AEE deve procurar parceiros e colaboradores envolvendo toda a família e comunidade escolar no processo de aprendizagem. As salas de recursos multifuncionais devem conter recurso e materiais diversificados para facilitar o processo.

 È primordial valorizar as diferenças humanas e aprender com o diferente, não pela diferença que sua deficiência impõe, mas pela singularidade se sermos diferentes enquanto condição humana.