A EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ
A Política Nacional de
Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, não considera a pessoa com
surdez como deficiente, pois ela tem perda sensorial auditiva, ou seja, possui
surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. O AEE para os
alunos com surdez, estabelece como ponto de partida a compreensão e o
reconhecimento do potencial e das capacidades dessas pessoas, vislumbrando o
seu pleno desenvolvimento a aprendizagem. O atendimento a esses alunos é
reconhecido e assegurado por dispositivos legais que determinam o direito a uma
educação bilíngue, em todo processo educativo. A pessoa com surdez vive numa
situação bilíngue, a língua oral dos ouvintes e a língua de sinais da
comunidade surda; sendo a língua de sinais a primeira língua dos surdos, uma
língua com estrutura gramatical, uma comunicação total, linguagem gestual, os
textos orais, os textos escritos e as interações sociais. A Política Nacional
de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao
encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas
sociais\institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos
com surdez na escola comum.
Pensar
e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem bilíngue e se volte
para o desenvolvimento das potencialidades da PS na escola é fazer com que esta
instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas
potencialidades, singularidades e diferenças e em seus contextos de vida. O
Decreto 5626/ 5 regulamenta a organização das turmas bilíngues, com alunos
surdos e ouvintes num mesmo espaço educacional, tornando uma escola inclusiva
com práticas pedagógicas alteradas e não com perfil de escola segregadora.
Segundo Perlim, a língua portuguesa é um desafio para a pessoa com surdez, mas
são totalmente capazes de assimilá-la. Consideramos que a escola comum é a
melhor escola para as pessoas com surdez. A escola comum precisa ter professores
que conheçam a Língua de Sinais. Mas, mais do que uma língua, as pessoas com
surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o
pensamento e exercitem a capacidade cognitiva dos mesmos.
O AEE deve ser visto
como uma construção e reconstrução e deve ser articulado por metodologias de
ensino que levem o aluno a apender a aprender numa abordagem bilíngue. O AEE
para OS deve acontecer em três momentos: em libras, de libras e AEE para o
ensino da Língua Portuguesa.
O professor de AEE
deve procurar parceiros e colaboradores envolvendo toda a família e comunidade
escolar no processo de aprendizagem. As salas de recursos multifuncionais devem
conter recurso e materiais diversificados para facilitar o processo.
È primordial valorizar
as diferenças humanas e aprender com o diferente, não pela diferença que sua
deficiência impõe, mas pela singularidade se sermos diferentes enquanto condição
humana.